Unidos por uma causa maior

Fonte: Google Imagens

Ninguém sabe ao certo como e quando terminará a pandemia da Covid-19. Mas muito menos se sabe sobre o mundo emergente desta crise sanitária que, com exceção da Antártida, atinge já todos os continentes. O número de casos confirmados de infeção por esta pandemia já chegou a mais de um milhão de pessoas e provocou a morte de mais de 57 mil.

Segundo o Ministério da Saúde, é cada vez mais notória a falta de equipamentos de proteção e de meios que permitem combater o coronavírus.  A Associação Portuguesa dos Bombeiros Voluntários já alertou para a carência de equipamentos de proteção individual nas suas corporações, o que pode pôr em causa o transporte de doentes com Covid-19. Também a Federação Nacional dos Médicos denunciou esta sexta-feira a falta de equipamentos de proteção básicos para controlo de infeção e a ausência de stocks adequados para enfrentar um eventual aumento exponencial. Médicos, enfermeiros e restantes profissionais de saúde familiar acusam não terem equipamentos de proteção para si próprios, nem tão pouco para protegerem os doentes que chegam com sintomas de gripe às unidades.

Desta forma, e tendo em conta a situação atual, a Direção-Geral da Saúde (DGS) disponibilizou no seu site um formulário online para quem quer ajudar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), de forma a contribuir com equipamentos, serviços ou outros apoios específicos, através da sua instituição, empresa ou a título individual. Assim, muitos são os que têm colaborado e sensibilizado o país com gestos nobres.

Seguindo o exemplo de Cristiano Ronaldo e Jorge Mendes, o Benfica e a Benfica SAD estão entre os clubes mais ligados à corrente de solidariedade. Os encarnados doaram um milhão de euros para a compra de equipamentos médicos ao SNS, além de auxiliarem três mil idosos isolados com a oferta de cestas básicas através da Fundação Benfica. Segundo a SIC Notícias, esta recolha de fundos permitiu comprar mais de 50 mil máscaras e também 540 mil luvas, óculos especiais de proteção, fatos térmicos e termómetros infravermelhos. Já nesta semana, os próprios jogadores anunciaram a sua iniciativa, com uma doação massiva de equipamentos emergenciais ao SNS.

O Sporting de Braga anunciou ter adquirido 10 ventiladores, 15.500 máscaras e 500 fatos de proteção hospitalar para doar ao Hospital de Braga e ajudar no combate do surto de Covid-19 e tratamento dos doentes infetados.

Jorge Silas conseguiu ainda angariar perto de 7 mil e 500 euros para compra de material e Rúben Neves vai doar dois ventiladores ao hospital São Sebastião em Santa Maria da Feira. Os jogadores do Belenenses decidiram unir-se a esta causa e doaram um terço do salário do mês de março para aquisição de material médico ou de suporte a hospitais.

O Grupo Fosun, uma empresa chinesa de investimentos, adiantou na segunda feira passada, dia 30 de março, que vai doar 70 mil unidades de equipamento médico ao SNS. O grupo chinês esclareceu, em comunicado, que o equipamento que será doado “inclui mais de 40 mil máscaras, fatos de proteção e 20 mil testes”.

A carga vem num avião e traz “cerca da 138 m3 de equipamentos, onde se incluem 1 milhão de máscaras para uso pelos profissionais de saúde, das quais 700 mil serão entregues de forma imediata ao SNS, que os adquiriu, bem como 200 mil testes desenvolvidos pelo departamento médico da Fosun, a Fosun Pharma, que têm certificação CE (Comunidade Europeia)”.

Também a Associação Portuguesa de Bancos (APB) anunciou terça-feira, dia 31 de março, que os seus associados decidiram “doar ao Serviço Nacional de Saúde 100 ventiladores e 100 monitores”. “Os Associados da APB reiteram de igual forma o compromisso perante a sociedade portuguesa de continuarem a assegurar a prestação dos serviços financeiros com o mínimo de perturbação para os clientes e a apoiarem a economia, quer através da célere operacionalização das medidas aprovadas pelo Estado, quer através de linhas de atuação específicas promovidas pelos diversos bancos”, afirma a APB em comunicado.

Inês Rochinha, youtuber portuguesa, não foi exceção e decidiu doar uma parte das vendas da sua marca ao SNS. No início de 2018, a influencer fez uma viagem a Marrocos e criou uma marca de acessórios, com o nome de Universo, baseada na cultura do país. Agora, numa altura de pandemia de Covid-19 em Portugal, Inês Rochinha decidiu usar o novo negócio para ajudar quem mais precisa. Assim, anunciou, através do Instagram, que “na compra de qualquer artigo ou qualquer encomenda efetuada no site, 10 por cento desse valor será revertido na ajuda e no combate à Covid-19”.

Fonte: NIT

Ainda um grupo de britânicos residentes no Algarve angariaram 360.000 euros para a aquisição de equipamento de proteção e material médico para os hospitais algarvios, disse esta sexta-feira, 3 de abril, um dos promotores.

O grupo, composto por 300 britânicos, residentes na Quinta do Lago, no concelho de Loulé, distrito de Faro, iniciaram a campanha de doação “há uma semana” e angariaram um valor “muito superior ao inicialmente pensado”, disse à Lusa Douglas Irvine, um dos mentores da iniciativa.

A verba está a ser encaminhada para o Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica da Universidade do Algarve que fica “responsável pela compra do material” e por “fazê-lo chegar à primeira linha do combate” à pandemia no Algarve.

O objetivo é, sobretudo, encaminhar o valor angariado para o Hospital de Faro, como unidade de referência do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) para o tratamento de doentes infetados pelo novo coronavírus, acrescentou o britânico à agência Lusa.

De acordo com o Público, inicialmente, a ideia do grupo era “conseguir dinheiros suficiente para comprar uma segunda máquina de TAC para o hospital de Faro” e preparar um local “com capacidade para 90 pessoas estarem separadas de quem não tinha o vírus”, delimitando o montante em 100.000 euros. Contudo, o valor foi rapidamente atingido e, a partir daí, começaram “a angariar dinheiro para outros equipamentos, como ventiladores, monitores de ritmo cardíaco, máquinas de eletrocardiogramas, ‘kits’ para análises de sangue e também os equipamentos de proteção individual, tão necessários e tão difíceis de conseguir nesta altura”, rematou.