Um ensino com rosto

Fonte: Bom dia Europa

3,2,1…livros, ação…

O encerramento das escolas devido à pandemia do Covid-19 levou a que cerca de 850 mil alunos do ensino básico ficassem sem aulas. Como alternativa a esse problema, e uma vez que nem todos os alunos terem acesso à internet ou computadores, o governo decidiu voltar a utilizar um método habitual em Portugal nas décadas de 70, 80 e 90: a telescola.

A telescola é uma ferramenta que prima pelo ensino à distância de uma televisão. Começa às 9h, com conteúdo, geralmente, para o 1º e 2º ano, e termina às 17h50, com aulas destinadas ao 9º ano ou terceiro ciclo, a ser transmitido na RTP Memória. Nela estão professores que dão a cara todos os dias, sem experiência em televisão, para lecionar a milhares de alunos matérias importantes para a sua vida escolar.

Iniciada a 20 de abril, e apesar do sucesso de audiências, a telescola, mais concretamente, os professores, têm sido  alvo de críticas nas redes sociais, de forma especial, por pessoas mais velhas, não abrangidas por esta forma de ensino.

Professores, habituados a conviver com os seus 20/30 alunos, são confrontados com uma nova realidade: um estúdio desconhecido, lentes de câmaras apontadas, luzes do estúdio, e um silêncio a que não estão habituadas no seu dia-a-dia. Por ser um conjunto de circunstâncias nunca, certamente, vividos anteriormente, apresentam-se nervosos e atrapalhados, o que, por vezes, se reflete no programa, dado ser feito sem cortes, normal perante a situação em que se encontram.

Desde a dificuldade de uma professora de educação física a fazer um exercício, à facilidade dos movimentos de uma outra professora de ginástica, a troça nas redes sociais é comum.

Aos comentários maléficos contra os docentes, tem sido dado respostas com prontidão. O próprio primeiro-ministro, num discurso, na assembleia da república, agradeceu o esforço dos profissionais. Acrescentou, ainda, que estes “não são atores de teatro ou cinema” e que “estão a olhar para um objeto frio, que é uma lente de televisão, imaginando que para além daquelas câmaras estão alunos que os estão a ver”. Remeteu ainda para as críticas espalhadas pelas redes sociais, que apelidou de “mesquinhas”.

Vários famosos têm, de igual modo, respondido às críticas de minorias, das quais Cristina Ferreira. A apresentadora de TV, que foi outrora professora, alertou no decorrer do “Programa da Cristina” para a situação em que os professores são colocados: “Antes de acusar, vamos tentar perceber que isto é tudo novo para todos”.

É fulcral relembrar que esta medida foi especial para uma época, também ela, especial. Falamos de professores que vivem realidades totalmente paralelas à exposição pública e que são confundidos, com a sua presença na tv, como atores ou profissionais da arte performativa quando, na realidade, tiraram o curso de Educação Básica. Para além disso, é importante que a forma de ensino seja sobretudo satisfatória para quem por ela é abrangida, e não por pessoas mais velhas, com a escolaridade completa e sem terem especialização na área do ensino.

Obrigada, professores de Portugal!