Regresso às aulas: “Sempre que o dia acaba desinfetamos a nossa bancada e passamos um papel”

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Ao fim de 63 dias, ainda em plena pandemia de Covid-19 mas agora já a entrar na segunda fase de desconfinamento em Portugal, as escolas secundárias reabriram nesta segunda-feira, 18 de maio, para alunos do 11º e 12º ano tanto das áreas científicas como dos cursos técnico profissionais. Turmas divididas, uso de máscara, dois refeitórios e uma mesa por aluno são algumas das normas de regresso às aulas.

Para Alexandre Pinto, que está no último ano do Curso Técnico de Produção de Montagem de Moldes numa das escolas da Marinha Grande, agora o ensino será feito com aulas presenciais duas vezes por semana, até dia 15 de julho. Com o curso dividido em duas partes, uma teórica e outra prática, o estudante refere que a escola decidiu que “duas vezes por semana temos aulas presenciais para a parte prática e a parte teórica será feita via web”.

Além das máscaras que a escola está a oferecer aos alunos, o estudante reparou noutras mudanças que aconteceram no seu regresso. “A escola marcou no chão umas fitas a fazer um corredor com duas direções, a minha turma foi dividida em duas para não haver um aglomerado de gente e o refeitório também se dividiu por essa mesma razão” confirma Alexandre. “A minha escola está bem preparada”, garante.

Fotografias dos interiores da escola. Gentilmente cedidas por Alexandre Pinto.

“O diretor decidiu que uma metade da turma entra por um lado da escola e a outra metade entra pelo outro lado. Só nos deixam entrar com máscara. Temos logo à entrada um frasco com desinfetante. Além disso, no refeitório as mesas estão afastadas e com marcas a delimitar o espaço que devemos utilizar.”

Alexandre Pinto

As novas regras não só ocupam os lugares comuns de todos os estudantes como também as salas de aula. “Metade da turma está numa das oficinas e a outra metade está numa outra oficina” alega o estudante ainda acrescentando que cada um ocupa uma bancada e todos têm sempre de ter máscara. “Sempre que o dia acaba desinfetamos a nossa bancada e passamos um papel”, conclui.

Fotografias das salas de aula. Gentilmente cedidas por Alexandre Pinto.

A interação na sala de aula continua a mesma apenas com o acrescento de que se “tivermos uma dúvida no nosso trabalho, temos que nos afastar e deixar o professor dar a sua explicação mas com uma distância de segurança”, atesta Alexandre. 

O aluno não sabe se estas normas vão ser cumpridas até ao fim, contudo acha que esta decisão foi a mais acertada. “Todos temos de trabalhar no nosso projeto, que é a construção de uma molde e para isso precisamos de desenhá-lo e apresentá-lo. Se esta decisão não tivesse sido tomada nós não saberíamos o que fazer porque queremos continuar os nossos estudos e sem o diploma não íamos a lado nenhum”, confessa Alexandre.

Às 00h00 do dia 3 de maio, terminou o Estado de Emergência e entrou em vigor o Estado de Calamidade. O plano de desconfinamento apresentado pelo primeiro-ministro, António Costa, divide-se em três fases com intervalos de duas semanas: 4 de maio, 18 de maio e 1 de junho. 

Os transportes públicos, cabeleireiros, esteticistas e as livrarias foram os primeiros a reiniciar a atividade. A 18 de maio foi a vez de escolas, creches, restaurantes, cafés, pastelarias, museus e galerias de também abrirem as suas portas, respeitando algumas regras de segurança. A partir de junho abrem os cinemas e algumas atividades tanto religiosas como desportivas. Já a abertura das praias está prevista para 6 de junho.

Portugal encontra-se no 26.º lugar dos países com mais infeções do novo coronavírus, registando hoje 29.209 casos, mais 173 nas últimas 24 horas, com um total de 1.231 óbitos e 6.430 recuperados. Em todo o mundo já foram registados 4.731.987 casos confirmados com os Estados Unidos da América na linha da frente com 1.486.742 infetados.