Poluição mundial diminui drasticamente devido à Covid-19

Com a redução do consumo de combustíveis fósseis e das emissões poluentes, o ambiente começa, finalmente, a mostrar melhorias. Contudo, ambientalistas e ativistas climáticos não estão otimistas, dado que toda esta situação que originou mudanças a nível ambiental é transitória.

De acordo com o Público, a redução da atividade económica e da mobilidade das pessoas devido à Covid-19 reduziu, de forma drástica, as emissões de dióxido de azoto, um gás que resulta da queima de combustíveis fósseis, nomeadamente dos motores dos carros e da indústria.

Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior (MCTES), em Lisboa a redução chega aos 80%, enquanto no Porto a queda atinge os 60%. A diminuição do dióxido de azoto acarreta consequências positivas como o aumento do nível da qualidade do ar.

“A inalação por dióxido de azoto está relacionada com o aumento da probabilidade de problemas respiratórios, uma vez que em altas doses poderia inflamar o revestimento dos pulmões e reduzir a imunidade a infecções pulmonares, causando problemas como tosse, constipações e bronquite”, recorda o MCTES.

Diferenças no tráfego rodoviário antes e durante o isolamento social, em Lisboa. – Diário de Notícias

Na China, no primeiro trimestre de 2020 o consumo de carvão nas fábricas caiu 36%, a produção de carvão 29% e a capacidade de refinar petróleo reduziu em 34%. No total, segundo o Carbon Brief, as medidas de contenção, na China, contribuíram para uma redução de entre 15% e 40% da produção nos principais setores industriais.

A NASA e os satélites da ESA detetaram reduções significativas no dióxido de azoto (NO2) sobre a China.

Também em Itália é possível observar, através de imagens de satélite da Agência Espacial Europeia (ESA), uma diminuição na poluição do ar.

Porém, todas as evidências de melhoria não deixam os ambientalistas otimistas. Apesar da quebra na procura de petróleo, o presidente da associação Zero, Francisco Ferreira, referiu em declarações ao Diário de Notícias que “ainda é muito baixa” e sublinhou que “é preciso uma redução de 7,6%” em cada ano.

“Para que sejam atingidos os números de redução de emissões para este ano, era preciso que o cenário se mantivesse, o que se traduziria em graves impactos para a economia, e consequentemente para o emprego, o que também não é desejável”, constatou Francisco Ferreira.

É evidente que todas as melhorias a nível ambiental se devem às medidas de contenção da Covid-19 e o mais provável é que as emissões voltem aos níveis habituais. No entanto, cabe ao Homem alterar o seu comportamento para com o meio ambiente e tentar reduzir ao máximo os impactos ambientais.