Observatório: o contexto vivido é causa para o risco de incêndio “preocupante” em 2020

António José/Lusa

Uma nota divulgada esta segunda-feira, 18 de maio, pelo Observatório Técnico Independente da Assembleia da República alerta para o risco de incêndio “preocupante” que se poderá vivenciar em 2020 devido ao impacto da pandemia de Covid-19. Falta de formação adequada, organização e de equipamentos são outros dos fatores apontados.

Durante o dia 18 de maio, o Observatório Técnico Independente da Assembleia da República divulgou uma nota onde atesta que o contexto de risco de incêndio para o presente ano é “preocupante”, devido ao impacto da pandemia de Covid-19 no país juntamente com as preocupações já estabelecidas. 

No documento é possível ler que por causa da pandemia deu-se “uma redução da mobilidade geral, e com confinamento especial de grupos de risco, com medidas de distanciamento físico — erradamente designado por ‘social’ — e com restrições à de permanência de um número elevado de pessoas em espaços limitados”. 

Segundo o Diário de Notícias, este novo enquadramento vai influenciar a constituição de equipas, de guarnições, de tripulações de aeronaves, de equipas helitransportadas e postos de comando, “o que levará necessária e obrigatoriamente à elaboração de um plano de contingência”, sublinha a entidade, acrescentando que os trabalhos decorrem “numa altura em que é incerto o conhecimento sobre a evolução da pandemia nos próximos meses”. 

De acordo com a análise ao dispositivo de combate aos incêndios rurais em 2020 feita pelos peritos do observatório, para além da questão da pandemia de Covid-19, “mantêm-se muitas das preocupações anteriores”, uma vez que “para além da influência das alterações climáticas, também a suscetibilidade do território à ocorrência de incêndios rurais não diminuiu”.

O Observador refere que a entidade tem vindo a chamar “a atenção para as metas de ocupação por espécie estabelecidas pelos Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) para 2030 e 2050 (OTI 208) e que “a revisão destas metas decorre da necessidade de adequar o coberto inflamáveis como o eucalipto e o pinheiro bravo e a inversa expansão de espécies folhosas como os carvalhos”.

Os especialistas consideram que os PROF “continuam a ser o instrumento para a redefinição das florestas no sentido de aumentar a sua resiliência, impondo a definição de um coberto e modelos de gestão adequados”. A revista Sábado acrescenta aqui que “este processo resulta na sobrevalorização do risco de incêndio em já ardidas em detrimento de outras zonas do país com maior risco potencial”.

Além disso, alerta que “a pouca integração destes aspectos resulta da falta de organização de um verdadeiro sistema integrado com coerência territorial e da inexistência de um Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais, questão para a qual este Observatório tem sistematicamente alertado”.

Porém sabe-se “que a eficiência e eficácia, particularmente em situações mais complexas, depende fortemente da qualidade da intervenção”, realça o observatório, concluindo que isso “exige cada vez maior ênfase na formação e qualificação dos agentes”.