O ensino à distância está a prejudicar alunos do ensino superior

Fonte: postal

Há um grande número de estudantes do ensino superior que se sente prejudicado com o ensino à distância, devido à pandemia de Covid-19, e pretende regressar às instituições, revelou um estudo do Observatório de Políticas de Educação e Formação.

Segundo o Jornal de Notícias, foi feito um inquérito sobre as opiniões de estudantes de universidades e de institutos politécnicos em relação à pandemia no sistema de ensino. O inquérito obteve 860 respostas e demonstrou que a maioria dos alunos (59,4%) se sente prejudicada com o ensino à distância em comparação ao ensino presencial que tinha até meados de março, quando o Governo decretou o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino para conter a disseminação do novo vírus.

“Um grupo numeroso declara que, ponderadas questões financeiras, pedagógicas e relacionais, a situação de ensino não presencial os deixou numa situação globalmente desfavorável”, concluiu o relatório do Observatório, que indica que apenas 14,8% veem este novo modelo de ensino como um método favorável. Além disso, quatro em cada dez alunos admitiu sentir maiores níveis de ansiedade por causa do confinamento, enquanto que 18,4% não sente alterações de comportamento.

O relatório também apresenta diferenças entre os jovens, nomeadamente o nível de participação e presença nas aulas não presenciais, a preparação dos professores e o interesse nas aulas. 60,2% dos alunos admitiu que estão, agora, menos interessados nas aulas, enquanto que 26,6% afirmou que o nível de interesse se mantém.

Umas das razões para as aulas serem menos interessantes poderá relacionar-se com a sensação de falta de preparação dos professores, que é referida por muitos alunos.  Destarte, a grande maioria apoia a decisão do Governo de ter encerrado todos os estabelecimentos de ensino em meados de março e reconheceu como positivas as soluções apresentadas pelas respetivas instituições.

Os resultados do inquérito foram divulgados na mesma altura em que o Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) recomendou às instituições a criação de condições para que pudessem recomeçar, de forma gradual, as aulas presenciais a partir do dia 4 de maio.