Máscaras de proteção ao coronavírus dão à costa em Hong Kong

Máscaras descartáveis estão a amontoar-se nas praias e trilhos de Hong Kong, perante a ameaça do novo coronavírus. Grupos ambientalistas alertam que esta ocorrência representa uma grande ameaça à vida marinha e aos habitats de animais selvagens.

Segundo o Público, a maioria da população de 7,4 milhões de pessoas de Hong Kong tem utilizado máscaras descartáveis na esperança de evitar a pandemia que, até ao dia 14 de março, registou 131 casos e fez quatro mortes na cidade. Não obstante, uma imensidão de máscaras é descartada indevidamente. Acabam por aparecer em terrenos baldios ou no mar, onde a vida marinha pode confundi-las com alimento. Amontoam-se nas praias, juntamente com sacos de plástico e outros resíduos.

Grupos ecologistas, que lutam contra o fluxo de lixo marinho da China continental e outros países, comunicaram ao Público que a utilização de máscaras tem agravado o problema e levantam também questões quanto à disseminação de germes. “Só temos visto máscaras, nas últimas seis a oito semanas, numa quantidade massiva… Estamos agora a observar o impacto no ambiente”, refere Gary Stokes, fundador do grupo ambientalista Oceans Asia.

Gary Stokes afirma ter encontrado nas ilhas isoladas e desabitadas Soko, a Sul do aeroporto internacional, 70 máscaras em cem metros de praia e uma semana depois uma quantidade superior a 30.  Refere que o mesmo acontece noutras praias nos arredores e que a situação o alarmou bastante.

Hong Kong debate-se há anos com o problema do plástico descartável. A utilização de plásticos de uso único deve-se a uma cultura baseada em fast food e takeaway, onde pouco lixo é reciclado.

Em declarações ao Público, Laurence McCook, dirigente da área de conservação dos oceanos na World Wildlife Fund de Hong Kong, confessa que “Ninguém quer ir ao mato e encontrar máscaras atiradas para todo o lado ou máscaras usadas nas praias. Não é higiénico e é perigoso”.

De forma a combater esta problemática, grupos ambientalistas têm organizado recolhas de lixo nas praias. “As pessoas pensam que se estão a proteger, mas não é só uma questão de se protegerem a si mesmas, é preciso proteger toda a gente. Não se desfazer da máscara em condições é muito egoísta.”, remata Tracey Read, fundadora do grupo Plastic Free Seas, em Hong Kong.