Falhas na distribuição de mosquiteiros e medicamentos podem duplicar casos de malária em África

Fonte: RTP

O número de mortes por malária na África subsaariana poderá duplicar este ano, devido a graves perturbações na distribuição de mosquiteiros com inseticida e no acesso a medicamentos antipalúdicos (medicação antimalárica), alertou hoje, dia 23 de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo uma análise divulgada a propósito do Dia Mundial do Paludismo (Malária), que se assinala no sábado, dia 25 de abril, nove cenários são considerados potenciais perturbações no acesso aos principais instrumentos de controlo da malária. Assim, durante a pandemia de covid-19, 41 países poderão sofrer aumentos de casos e mortes.

Caso todas as campanhas de mosquiteiros tratados com inseticida forem suspensas e haja uma redução de 75% no acesso a medicamentos antimaláricos eficazes, a estimativa de mortes por malária na África subsaariana em 2020 seria de 769.000, o dobro do número de mortes registadas na região em 2018. “Isto representaria um regresso aos níveis de mortalidade por malária registados há 20 anos”, informou a RTP, de acordo com a mensagem da OMS

A OMS alertou os países a avançarem rapidamente e a distribuírem instrumentos de prevenção no tratamento do paludismo nesta fase do surto da covid-19 na África subsaariana. Reforça ainda que devem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para manter em segurança os serviços essenciais de controlo do paludismo.

A OMS e os seus parceiros elogiam os líderes do Benim, da República Democrática do Congo, da Serra Leoa e do Chade por terem iniciado campanhas de mosquiteiros com inseticida durante a pandemia do novo coronavírus. Também outros países estão a adaptar as suas estratégias de distribuição líquida para garantir que as famílias recebam as redes.

“As terapias preventivas para mulheres grávidas e crianças devem ser mantidas”, defende a OMS, sublinhando que “o fornecimento de testes de diagnóstico rápidos e de medicamentos antimaláricos eficazes é também essencial para evitar que um caso ligeiro de malária progrida para uma doença grave e para a morte”.

Atualmente, o número de casos de covid-19 na África subsaariana tem representado apenas uma pequena proporção do total global, embora esteja a aumentar todas as semanas. “Isto significa que os países da região têm uma janela de oportunidade crítica para minimizar as perturbações na prevenção e tratamento da malária e salvar vidas nesta fase do surto da covid-19”, acentuou a mensagem da OMS.

Esta análise da modelização foi conduzida pela OMS, em colaboração com parceiros como o Projeto Atlas da Malária (PATH) e a Fundação Bill & Melinda Gates. De acordo com o relatório mundial sobre a malária de 2019, a África subsaariana representou aproximadamente 93% de todos os casos de malária e 94% das mortes em 2018. Mais de dois terços dos casos ocorreu em crianças com menos de cinco anos de idade.