Egito acusado de torturar e fazer desaparecer crianças de 12 anos

Fonte: Observador

As forças de segurança do Egito, por efeito do presidente Abdel Fattah el-Sissi, prenderam, torturaram e fizeram desaparecer crianças de 12 anos, acusou esta segunda-feira, dia 23 de março, a organização Human Rights Watch.

Segundo o Jornal Expresso, a organização não-governamental (ONG) apelou aos Estados Unidos e aos países da União Europeia para suspenderem qualquer tipo de ajuda ao Egito até que as autoridades do Cairo tomem medidas para contrariar os abusos contra os direitos humanos. De acordo com a ONG, as crianças têm sido sujeitas a métodos de ‘afogamento’ e choques elétricos na língua e nos órgãos genitais como forma de tortura.

“As autoridades egípcias atuam sem que sofram qualquer tipo de consequências”, afirma Bill Van Esveld, da Human Rights Watch (HRW). Já o porta-voz do Ministério do Interior do Cairo mostrou-se indisponível para responder.

Num relatório, a organização com sede nos Estados Unidos menciona abusos cometidos contra 20 pessoas, com idades entre os 12 e os 17 anos. O relatório faz-se acompanhar por depoimentos da organização não-governamental Belady, do Egito, que presta apoio às crianças que vivem na rua e que corroboram os testemunhos.

“Os depoimentos destas crianças e familiares revelam que a máquina repressiva do Egito está a sujeitar as crianças a graves abusos”, enfatiza Aya Hijazi, da direção da Belady. Acusa ainda o sistema judicial do Egipto de ter falhado de “forma séria” na investigação dos casos de denúncia de maus tratos a crianças pelas autoridades locais.

Desde 2013, altura em que o golpe militar originado afastou a Irmandade Muçulmana do poder no Egito, que as autoridades têm lançado operações de perseguição contra dissidentes políticos, incluindo detenções arbitrárias de extremistas islâmicos, advogados pró-democratas. Também o controlo sobre a imprensa tem sido constante no país.