Donald Trump “O Imperito”

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Seja por bem ou por mal, a verdade é que o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, tem percorrido as bocas do mundo sobre as suas sugestões pouco “ortodoxas” de como lidar com o vírus da Covid-19. Enquanto que Portugal se encontra atualmente com 25.190 casos confirmados, o país norte-americano ultrapassou todos os outros países, incluindo a China, origem do surto, e apresentou nas últimas 24 horas 31.774 novos casos, o que faz um total de 1.104.345 pessoas infetadas com o novo coronavírus. Estes dados, chamaram a atenção de Trump que ligou durante a tarde de sexta-feira, 1 de maio, ao Presidente da República portuguesa.

No dia do trabalhador, 1 de maio, o presidente estadunidense ligou ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, para elogiar o desempenho de Portugal face a esta pandemia. A nota publicada no site da Presidência da República escreve que o “presidente americano elogiou o desempenho português neste surto pandémico e ofereceu toda a ajuda que fosse considerada útil e necessária, o que o Presidente português agradeceu”. Os temas abordados durante a chamada giraram em volta da pandemia, tendo ambos os presidentes trocado impressões sobre a sua evolução em ambos os países.

Desde o começo, Donald Trump sempre se mostrou otimista em relação à forma como o seu país estava a enfrentar a pandemia da Covid-19. Esse otimismo era revelado nas alegações que fazia. Porém, após uma verificação, elas foram determinadas falsas. “Muito em breve, nós vamos ter uma vacina”, ou “Nós tomámos as ações mais agressivas para fazer frente ao novo coronavírus. Estas são as ações mais agressivas tomadas em qualquer país”, foram alguns dos argumentos que Trump dizia em plena conferência de imprensa.  

O Washington Post reuniu algumas das alegações de Donald Trump, no seu canal de Youtube

No entanto, quando a curva pandémica começou a subir e a ficar descontrolada, o presidente mudou a sua atitude. No final do mês de março ele passou de uma atitude de “tenham calma, vai ficar tudo bem” para uma de “nós temos de agir”. Após diversos setores terem fechado, Donald Trump tentou arranjar soluções, que a maioria dos profissionais de saúde considera pouco “ortodoxas”, inadequadas e que, certamente “levam à morte”. 

Em várias conferências de imprensa, o presidente norte-americano sugeriu diversas formas de combater o vírus como por exemplo, expor o corpo a grandes quantidades de raios ultravioleta para aquecer e matar o vírus, ou injetar lixívia no próprio corpo dos pacientes, porque os “químicos matam o vírus por completo”. Estas ideias chocaram as pessoas e provocaram o pânico geral, o que fez com que os médicos pedissem, pelas redes sociais, para não fazerem o que o presidente sugeria. 

Tweet do comentador americano Chris Hayes

Em Nova Iorque, o Estado em que se registam mais casos, tanto os hospitais como os crematórios já ultrapassaram os limites. De acordo com o Observador, devido ao número elevado de pessoas por sepultar, tiveram de fazer morgues em vários cantos dos bairros e levaram atrelados, com câmaras frigoríficas, aos hospitais para recolher os corpos. Devido a estas condições, os corpos são deixados dentro dos veículos a “apodrecer”.

O país norte-americano confirmou os primeiros casos de coronavírus a 20 de janeiro, mas só a partir de março é que os números escalaram e, atualmente, encontra-se com 1.104.345 infectados. Ao analisar a dashboard da Universidade de Jonhs Hopkins conseguimos perceber que a América detém o maior número de casos confirmados em todo o mundo, com mais de metade do total dos casos registados. O cenário que a América enfrenta, neste momento, não é o mais “carinhoso” mas, pelo menos, não o está a enfrentar sozinha.