Covid-19: Farmacêutica suíça anuncia teste serológico com 100% de sensibilidade

Fonte: Expresso

Um proeminente virologista francês, Pierre Charneau, anunciou que o laboratório, destinado à produção de vacinas, que dirige desenvolveu um novo teste serológico que permite apurar não apenas se uma pessoa contraiu a covid-19, mas que nível de imunidade adquiriu.

De acordo com o Expresso, Pierre Charneau, diretor científico do laboratório Pasteur-TheraVectys, numa entrevista, esta segunda-feira, 4 de maio, ao diário “Libération” revela que aguarda a autorização das autoridades de saúde francesas para comercializar o novo teste. Estes testes poderão ser um instrumento importante para ajudar a retomar a normalidade da vida social, sem reativar a epidemia de Covid-19.

O teste que a sua equipa desenvolveu, denominada “sero-neutralização”, visa determinar até que ponto os anticorpos resultantes de uma infeção poderão impedir o vírus de entrar nas células. Segundo o Rfi, “a vantagem do novo teste sorológico reside em sua capacidade de especificar o grau de imunização dos pacientes recuperados do SARS-CoV-2”. Segundo uma técnica, conhecida como Elisa, o resultado é positivo se uma proteína do vírus estiver em contato com o sangue do indivíduo na presença de anticorpos.

Pierre Charneau afirma que “este teste fornece informações sobre a eficácia dos anticorpos.” é possível, desde logo, “identificar os indivíduos verdadeiramente protegidos”. Acrescenta que “como é muito sensível, permite graduar os resultados da resposta imunitária (bastante neutralizante, fraca ou não-neutralizante). “Podemos, portanto, identificar as pessoas verdadeiramente protegidas, uma informação que é inestimável para todos aqueles que entraram em contato com doentes, inclusive sem saber”, destaca o virologista.

O presidente da empresa, Christoph Franz, destacou, numa conferência de imprensa, a “sensibilidade e especificidade extraordinariamente elevadas” — 100% e 99,81%, respetivamente e o “novo nível qualitativo” que este teste pode trazer aos estudos de medição da imunidade da população ao SARS-CoV-2, o coronavírus que provoca a doença covid-19, e a ajuda à “reabertura não só da economia, mas também da sociedade”.

Esta informação será fundamental para profissionais de saúde e uma variedade de outras pessoas, principalmente as que realizam atendimento ao público. Os novos exames embora “úteis para localizar os doentes, eventualmente isolá-los e reconstruir as cadeias de contaminação”, segundo Charneau, têm demasiadas lacunas. Como a infecção ativa do novo coronavírus dura em média apenas 12 dias, “além desse intervalo ele não é mais detetável”. Na etapa pós-infecção, apenas testes sorológicos podem fornecer respostas sobre as pessoas protegidas da doença.

A equipa de trabalho enfatiza que será possível disponibilizar centenas de milhões desses testes rapidamente, estando já a analisar cerca de seis mil amostras de sangue por semana no leste da França. Garante que a fiabilidade do teste é elevada – acima dos 98% – a julgar pelos milhares de testes já efetuados sem qualquer falso positivo.

Quanto à vacina por que toda a gente espera atualmente, Charneau explica que “não coloca nenhum problema técnico maior”, referindo que o seu laboratório também está a desenvolver uma que é a mais avançada do mundo (baseada em “anticorpos neutralizantes”), mas os testes demoram tempo e a vacina poderá já não chegará a tempo da atual epidemia.