Ciclone Harold deixa milhares de desalojados em Vanatu

Fonte: Observador

O ciclone Harold destruiu milhares de casas em Vanuatu na semana passada, no entanto o país está relutante em pedir ajuda internacional por temer a entrada da Covid-19 no território, revelou hoje, dia 14 de março, ao Observador uma agência de ajuda humanitária.

A forte tempestade atingiu ainda as Ilhas Salomão, Fiji e Tonga. Devido a restrições de viagem determinadas pelo governo de Vanuatu para se proteger da Covid-19, a ajuda às vítimas deste ciclone de categoria 5, a mais poderosa na escala que avalia este tipo de desastre natural, está a ser complicada.

Vídeo publicado pelo The Guardian dos estragos deixados pelo Cyclone Harold

Segundo o Observador, a organização não-governamental (ONG), World Vision, anunciou que 35% da população do arquipélago, que tem 300 mil habitantes, está em centros de acolhimento. A responsável da ONG explicou que, em algumas áreas do arquipélago, os danos foram ainda maiores do que o causado em 2015, quando Pam, o último ciclone da categoria 5, atingiu Vanuatu e devastou a capital, Port Vila.

Os danos mais significativos depois da passagem do Harold foram registados nas ilhas de Pentecostes, Ambae e Espiritu Santo, onde fica Luganville, a segunda cidade do país. “O que vemos depois da passagem do Harold são casas que foram pulverizadas. Não há nada para recuperar”, decretou a diretora do World Vision, Kendra Gates Derousseau.

Kendra Gates Derousseau referiu que até agora as autoridades contabilizaram três vítimas mortais em Vanuatu, um número que pode aumentar à medida que cheguem as informações das províncias mais afastadas. Nas Ilhas Salomão, 27 pessoas morreram ao caírem de um convés de um “ferry”. A Cruz Vermelha registou uma morte em Fiji, embora nenhuma tenha sido informada pelas autoridades de Tonga.

A epidemia do novo coronavírus está a complicar a situação, visto que Vanuatu é um dos poucos países do mundo sem nenhum caso confirmado pela doença. A responsável da ONG observou que a entrega da ajuda leva tempo em algumas regiões, mas reconhece que o governo não pode correr o risco de importar a doença.

A Austrália, a Nova Zelândia e a China enviaram ajuda humanitária ao arquipélago por via aérea. No entanto, este último deve cumprir rigorosas medidas de quarentena antes de entrar no país. Também o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários e coordenador de ajuda emergencial, Mark Lowcock, prometeu 2,2 milhões de euros de ajuda a Vanuatu.

Infografia sobre o número de desastres naturais em todo o mundo desde 2008 até 2017