Bolsonarismo: o érebro destino de todos os brasileiros

Fonte: Público

Em tempos de crise sanitária, Jair Bolsonarotem cativado a atenção dos portugueses pela forma particular com que tem gerido o seu país. Pronunciou-se à nação, alterou o discurso da Organização Mundial da Saúde (OMS) e negligenciou a gravidade da pandemia da Covid-19.

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, surpreendeu (de forma negativa) o país e o mundo ao desvalorizar as mortes que se vão acumulando por todo o país, insistindo apenas na reabertura da economia. Recorrendo a um discurso anti-racionalista e sem fundamento científico, optou por uma linha de atuação política que poderá condenar milhares, senão milhões, de brasileiros à morte.

Jair Bolsonaro uniu-se a empresários que acusaram desespero pela possibilidade de reduzirem os lucros com os seus trabalhadores em casa. Além disso, produziu um anúncio, gerado apenas com fotografias de arquivo, a promover o fim do isolamento social. Neste investimento, Bolsonaro ressalvava a sua perspetiva: algumas pessoas “vão morrer, é a vida”.  

O Presidente, acusou a comunicação social e os governadores de enganarem a população sobre os perigos do novo coronavírus. Através das redes sociais, decidiu ainda persuadir os brasileiros a saírem de casa. No entanto, segundo o Jornal Gazeta, o Twitter, o Instagram e o Facebook bloquearam o conteúdo do presidente, uma vez que as publicações violavam as regras da comunidade.

De acordo com o site Notícias ao Minuto, as duas maiores favelas do Brasil estão a organizar-se para enfrentar a pandemia, num momento em que o governo e o próprio presidente não concordam sobre as medidas a adotar. As ruas de Heliópolis e Paraisópolis continuam com milhares de pessoas a circular e com a maioria das lojas abertas em pleno estado de emergência.

Durante o combate à covid-19, o governo brasileiro suspendeu também o atendimento de pedidos via Lei de Acesso à Informação. Esta ferramenta é fundamental para jornalistas e cidadãos fiscalizarem o governo, pois garante que todo órgão público tenha a obrigação de responder, até 30 dias, a qualquer pergunta que envolva dados, documentos ou informações públicas. Porém o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a determinação presidencial e voltou com a lei.

Não podemos esquecer o divórcio entre o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a meio da pandemia. O defensor do isolamento social anunciou a própria demissão pelas redes sociais, após conversa com o presidente, que discordou essa medida. Bolsonaro chegou a considerar o coronavírus “uma gripezinha” e acusou Mandetta de ser “arrogante” e ” falar de mais”. Pouco depois, Nelson Teich, foi o oncologista escolhido para o substituir.

Ainda durante esta semana, o ex-ministro da Justiça do Brasil, Sergio Moro reafirmou, num depoimento divulgado ao Público, a acusação de que o Presidente Jair Bolsonaro o pressionou para substituir o diretor da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

A divulgação do depoimento poderia colocar em perigo o futuro político do Presidente, peal exposição de declarações comprometedoras. Mas as reações iniciais à declaração do ex-ministro da Justiça não foram animadoras para os críticos do Presidente brasileiro, com alguns comentadores a classificarem-no como “fraquíssimo”. O colunista Bruno Boghossian afirmou que “o ex-juiz se negou a imputar crimes ao Presidente e apresentou poucas provas da intromissão do antigo chefe”.

Segundo o Observador, após alguma resistência em divulgar os resultados à Covid-19, a Justiça manteve a decisão de obrigar o Presidente a divulgar o relatório dos testes que fez para testar a doença. Jair Bolsonaro tem sido sempre contra a divulgação dos testes, alegando questões de privacidade.

Em março, um dos seus filhos noticiou que o Presidente tinha dado positivo num teste. Este, porém, desmentiu a mesma notícia. A dúvida ficou ainda assim presente, sendo que várias pessoas à volta de Jair Bolsonaro, entre assessores e ministros, deram positivo, incluindo o porta-voz da Presidência brasileira, general Otávio do Rêgo Barros. Desde então tem negado de forma veemente que não teve a doença, mesmo tendo já admitido essa hipótese.

As percentagens de contágio e mortes no Brasil têm subido de forma exponencial. Resta aguardar pelas futuras decisões de Jair Bolsonaro, com a esperança de que dias melhores possam chegar.