As novas competências dos futuros docentes

Luca Zennaro/EPA

A pandemia da Covid-19, não só veio instalar uma barreira entre professores e alunos, que agora comunicam através das diferentes plataformas digitais, como também exigiu aos futuros educadores e professores, uma nova habilidade. O Jornal em Ponto falou com alguns alunos dos mestrados do Politécnico de Leiria, para perceber como o seu presente e futuro foram afetados. 

Inês Fernandes, mestranda em Educação Pré-Escolar e 1ºCEB, que neste momento se encontra a estagiar com uma turma do 4ºano, conta como o seu último ano de mestrado está a ser afetado. “Passámos de estar três dias por semana com as crianças, para nenhum de um dia para o outro”, confessa. Mas o período de estágio não terminou, tendo sido proposto o ensino à distância através de diferentes plataformas virtuais. “Era a única solução que tínhamos para continuar o nosso percurso académico, e é isso que estamos a fazer”, afirma a aluna. 

Apesar de ter sido necessário a adaptação neste novo método de ensino, para Inês Fernandes essa formação foi feita por iniciativa própria, de forma a “melhorar e a singrar no futuro”. Porém, quando questionada se o seu último ano irá ficar comprometido, ela mostra que não existe motivo para desânimo. “Nada vai ficar comprometido, vamos terminar em grande e esta experiência vai ficar na memória de todos”, afirma a futura docente que, ao mesmo tempo, espera que isto não aconteça com os futuros alunos em educação e ensino, pois “é difícil, é muito difícil”.   

Diana Martins e Nídia Mesquita, alunas do Mestrado em Educação Pré-Escolar e que estagiam em conjunto, ambas confirmam que o mestrado foi afetado da “pior maneira possível”. Para Diana foi preciso uma reinvenção da Prática Pedagógica, agora que deixaram de poder intervir e que têm de ficar em casa. “Como é que vou planificar, intervir e avaliar se não temos qualquer contacto com as crianças, se não sei os seus interesses?”, reflete a mestranda. Nídia vai de encontro às palavras da sua colega e contesta o trabalho que ambas estão a ter pois “nós não teremos o feedback que poderíamos ter dentro de uma sala de atividades”.

Para Nídia Mesquita, a sua adaptação às plataformas digitais para o ensino à distância tem sido uma aventura. O que não se verifica no caso de Diana Martins que já tinha tido essa experiência, no seu tempo de estudante na licenciatura, onde tinha aulas à distância. Contudo, mesmo ao estarem a estagiar em conjunto, Diana Martins considera que o seu ano irá sim ficar comprometido devido ao tempo que não estão com as crianças. 

“É uma ajuda entre todos os professores, e até mesmo entre colegas claro”, alega Luís Paulo, mestrando em Ensino do 1ºCEB e de Matemática e Ciências Naturais no 2ºCEB, sobre este novo ajuste que teve de concretizar. Apesar de ter noção de que o seu ciclo de estudos foi afetado, o aluno atesta que o trabalho todo que teve, até agora, não será prejudicado. “O que nós estamos a fazer é lançar alguns trabalhos”, denota o mestrando ao salientar que o contacto que mantém tem sido, na sua maioria, com os professores pois “não temos acesso ao Moodle”.

Ana Lúcia, aluna do Mestrado em Ensino do 1ºCEB e de Matemática e Ciências Naturais no 2ºCEB, juntamente com Luís Paulo, considera que o principal é “nos saber adaptar”. A escola onde está a estagiar não vai aderir ao ensino à distância, mas ponderam adotar a telescola , apesar de ainda não saberem como utilizar em prol do ensino. “O problema é que a RTP não disponibiliza os conteúdos que vão ser dados aos professores na semana anterior, só dá a parte do horário”, afirma a estudante. É em tempos como este, que Ana Lúcia questiona sobre como será o seu futuro como professora. “Usar estas plataformas é uma mais valia para a sala de aula e deveríamos usar estas mais valias para ensinar os alunos de maneiras diferentes”, confessa.

“Estamos a aprender técnicas, plataformas, métodos de avaliação diferentes e estamos a tentar aprender coisas diferentes que no futuro nos podem ajudar a criar aulas divertidas, criativas, e que podem mudar as práticas de ensino.”

Ana Lúcia

Luís Paulo e Ana Lúcia não sabem, com certeza, se o seu mestrado será afetado pois é uma decisão que ainda está a ser ponderada pelos professores, mas Luís não vê uma lógica em não ser aceite pois “estamos a trabalhar à mesma, apesar de ser com o ensino à distância”. Ana Lúcia concorda com as palavras do seu colega e acrescenta que estão a descobrir um novo “método de ensino”.

Porém, até para os que já não estão a estagiar, a pandemia acabou por afetar o ano letivo de certos alunos. Margarida Pires, aluna de Mestrado em Educação Pré-Escolar, está neste momento a trabalhar na sua tese que tem de entregar no final de abril. O seu mestrado ficou abalado na medida em que não tem o acesso necessário aos materiais para o seu trabalho final. “Ou a escola toma medidas ou vamos ter de pagar do nosso bolso algo que nos forneceriam caso isto não tivesse acontecido”, certifica. 

“Não acho que o meu ano tenha ficado comprometido, mas acho que me limitou muito a tese”, afirma a aluna que acaba por confessar que o seu “nível de concentração” tem sido nulo, devido ao confinamento em casa que tem feito. Quando questionada sobre o futuro do ensino à distância ela mostra-se pronta a abraçar este novo método. “O ensino é resumido num ensino presencial e de estar com as crianças, mas a verdade é que nós temos de nos começar a adaptar e quem sabe no futuro, se calhar, isso pode ser ainda mais comum”, declara.