As mudanças acontecem e são contagiosas

Fonte: pplware.sapo

O consumo de plástico é um dos maiores inimigos do planeta. Porém, será que o ser humano tem consciência disso? Será ele capaz de evitar uma catástrofe ambiental?

Segundo um estudo publicado pela World Wildlife Fund (WWF), em Portugal, 72% do lixo encontrado em zonas industriais e de estuários são microplásticos – partículas com menos de cinco milímetros que resultam da degradação do plástico. As zonas mais afetadas são Lisboa e a Costa Vicentina pela proximidade aos estuários do Tejo e Sado.

Esta poluição por microplásticos tem repercussões importantes, porque afetam a cadeia alimentar marinha e dos humanos. Estima-se que 20% dos peixes de consumo quotidiano tenham microplásticos nos seus estômagos e 80% das tartarugas-marinhas-comuns comam lixo – que na sua maioria é plástico.

No estuário do Douro, de acordo com um artigo publicado na revista “Science of the Total Environment”, pela CIIMAR, há uma elevada quantidade de microplásticos. O estudo que fundamentou o artigo começou a ser desenvolvido em 2016, e conclui que há, de facto, mais plásticos do que larvas de peixe, numa proporção de uma larva para 1,5 partículas de microplástico no estuário do Rio Douro.

Isto acarreta algumas implicações nomeadamente: a possibilidade de mistura entre partículas diminutas com alimentos, o que pode levar à ingestão. Por outro lado, estes materiais podem estar a ocupar espaço que deveria ser usado pelos animais, e ainda a bloquear a luz que têm disponível.

As consequências não só afetam as larvas de peixe, como toda a comunidade. Esta situação alarmante afeta a zona costeira adjacente e todas as áreas que dependem do estuário.

É de notar que o consumo de plástico tem aumentado anualmente. Mas como é que os portugueses vêm esse consumo?

Em 2017, uma iniciativa europeia divulgada em Portugal pela Quercus, fez-nos pensar sobre os nossos comportamentos. Cerca de 96% dos portugueses inquiridos, numa campanha de sensibilização, estavam cientes do problema ambiental associado aos plásticos e microplásticos. Porém, menos de 50% admitia ter mudado o seu comportamento em relação ao consumo de plástico e 22.6% não conhecia as alternativas ecológicas – sacos de compras de pano, escovas de bambu, garrafas reutilizáveis, etc.

Nesta amostra de 300 pessoas, mais de metade tinha dificuldade em identificar plásticos recicláveis e produtos que contém microplásticos. Ainda no tema da reciclagem, este estudo permitiu perceber que quase 80% dos inquiridos acreditava que as cápsulas de café deveriam ser colocadas no ecoponto amarelo, e 22.5% acredita que os pacotes de leite não.

A questão que ressalta é: O que é que o futuro nos reserva? É fácil perder a esperança com estes números, mas não desista já! Surgem, cada vez mais, notícias que mostram que, mesmo gradualmente, a mudança de mentalidade e comportamentos está a acontecer.

A utilização de copos reutilizáveis em festivais e eventos de grande dimensão, a proibição de concursos públicos de aquisição de matéria, como copos, palhinhas e colheres de café descartáveis para a administração e empresas públicas, bem como sacos de plástico que deverão ser substituídos por sacos de papel, são exemplos desta mudança.

Por outro lado, numa nota positiva, multiplicam-se as opções mais ecológicas a produtos usados no quotidiano – e a preços bem mais acessíveis que há uns anos. A União Europeia pretende pôr em prática, a partir de 2021, a proibição de palhinhas, cotonetes e talheres descartáveis, numa tentativa de reduzir o consumo de plástico e utilização única e reduzir os níveis de poluição marítima.