Após Covid-19, mercados chineses voltam a adotar as práticas antigas

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Venda de morcegos, coelhos e cães que depois os vendedores esfolam no chão em frente aos clientes, são algumas das práticas que estão a ser novamente praticadas nos mercados da China. Mesmo depois de uma pandemia que afetou cerca de 82.200 pessoas do país asiático e de ter sido decretado que a venda de animais selvagens era ilegal, os comerciantes voltam aos velhos hábitos.

Nas últimas 24 horas, a China anuncia o registo de 31 novos casos por coronavírus, todos eles oriundos do exterior. Após três meses de luta contra a doença covid-19, a China consegue, aos poucos, voltar à normalidade. Contudo, a nova realidade que o país asiático enfrenta, traz consigo algumas restrições que muitos dos cidadãos não conseguem cumprir, na sua totalidade. Os mercadores fazem parte de um desses setores, que todos os dias trazem os mesmos produtos que vendiam antes da pandemia.

O jornal britânico Daily Mail, descreve no seu artigo, um cenário problemático enquanto a população celebra a “vitória” perante o novo coronavírus. “Cães e gatos apavorados amontoam-se em gaiolas enferrujadas. Morcegos e escorpiões oferecidos para venda como medicina tradicional. Coelhos e patos abatidos e esfolados, um ao lado do outro, num chão de pedra coberto sangue, sujidade e restos de animais”, é o que se pode ler no artigo.

De acordo com o jornal digital australiano News, vários animais como morcegos e pangolins, foram identificados como sendo os possíveis portadores do vírus. Além disso, em janeiro o mercado de peixe de Wuhan Huanan foi encerrado e no mês de fevereiro a China declarou a proibição imediata de todo o comércio e consumo de animais selvagens. Porém, o Daily Mail, que enviou um correspondente para o país, afirma que os mercados voltaram a encher-se de milhares de pessoas. “Os mercados voltaram a funcionar exatamente da mesma maneira que operava antes da chegada do coronavírus”, revela o repórter.

Pangolim/Google Images

Um estudo feito por investigadores da Universidade de Hong Kong, e publicado em 2007, descreve a cultura que se vive nestes mercados, sujos e húmidos, como sendo uma “bomba-relógio” para um novo vírus. “Sabe-se que o vírus do coronavírus sofre mutações genéticas, o que pode levar a novos surtos”, e ainda “a presença de um grande reservatório de vírus do tipo SARS-CoV pode ser encontrado em morcegos”, diz o artigo que o site News cobre.

O Notícias ao Minuto, recorda que alguns dos primeiros casos de Covid-19 surgiram após os infetados terem estado num dos mercados de animais de Wuhan, a região chinesa onde começou a pandemia, e que para impedir uma segunda vaga de contágios no país, o Governo chinês impôs quarentena obrigatória de duas semanas a quem entrar na China.

A doença Covid-19, já infetou mais de 755 mil pessoas em todo o mundo, das quais 36.211 morreram. De entre estes casos de infeção, 158.527 são considerados curados.