António Costa: o homem que fez o país parar

Fonte: Jornal Público

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, apelou esta quinta-feira, dia 12, ao sentido de comunidade para enfrentar o Covid-19 e confirmou várias medidas preventivas. A mais “preocupante”, entre elas, a mais: o fecho de todas as escolas do país até à Páscoa. 

Nascido na freguesia de São Sebastião da Pedreira em Lisboa, António Costa é filho de Maria Antónia Palla, a primeira mulher a integrar a direção do Sindicato dos Jornalistas, e de Orlando da Costa, publicitário e escritor.

O seu percurso na política começou cedo. Com apenas 14 anos de idade, em 1975, filiou-se na Juventude Socialista, onde começou a colar cartazes nos tempos conturbados do Pós 25 de Abril.

Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, foi dirigente associativo da Associação Académica desta faculdade entre 1982 e 1984. No ano de 2007, António Costa tornou-se Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ocupou este cargo até abril de 2015, ano em que se tornou primeiro-ministro de Portugal, cargo que exerce até aos dias de hoje.

Desde então, o Governo de António Costa esteve inserido em algumas polémicas. O primeiro caso envolveu o antigo adjunto do primeiro-ministro para os Assuntos Regionais, Rui Roque, que, em outubro de 2016, acabou por se demitir após se ter descoberto que tinha uma licenciatura falsa em Engenharia Eletrotécnica. Já em dezembro de 2017, após uma investigação conduzida pela TVI, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, demitiu-se pela sua ligação à polémica da ex-presidente da instituição Raríssimas, Paula Brito e Costa. Manuel Delgado abandonou funções depois de ter sido confrontado com o facto de ter feito viagens com a presidente da instituição, alegadamente pagas com dinheiro da associação. Outro exemplo polémico foi o desaparecimento de material militar dos paióis de Trancos, que levou à demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em outubro de 2018, acabando por ser constituído arguido. 

Voltando ao presente, um dia depois do surto do vírus SARS-Cov-2 ter sido declarado como pandemia mundial pela OMS, António Costa convocou dia 12 os líderes de todos os partidos com assento parlamentar para dar conta das decisões que estão a ser tomadas pelo Governo sobre o novo vírus. Foi na noite do dia 12 de março que o primeiro-ministro falou ao país para anunciar que, até à Páscoa, todas as escolas vão encerrar. Segundo o discurso de António Costa, estamos perante “uma situação excecional que é nova para todos nós e que coloca desafios imensos”, daí ser de extrema importância um “sentimento de comunidade” e “partilha da vida comum”.

“É uma batalha de todos”

A Direção-Geral de Saúde atualizou, este sábado, que o número de infetados subiu para 169, ou seja, mais 57 do que sexta-feira. No discurso de António Costa não houve “panos quentes”. O primeiro-ministro avisou o país que “Portugal ainda não atingiu o pico” desta pandemia e que muito provavelmente, nas próximas semanas “mais doentes venham a ser contaminados, porventura com mais graves consequências para a sua saúde e para a sua própria vida”. 

António Costa foi o homem que, na passada quinta-feira, fez o país parar. Mais de um milhão e meio de estudantes estão agora em casa, ou deveriam estar, a cumprir quarentena, pois “esta é uma luta pela nossa sobrevivência e pela proteção da saúde dos portugueses”, afirmou. O primeiro-ministro terminou o seu discurso com uma mensagem de esperança, dizendo que “todos juntos, seremos seguramente capazes de enfrentar e superar” esta situação.