Alimentação sustentável: uma opção saudável para o planeta

Fonte: Jornal de Negócios

Quando vamos ao supermercado, raramente pensamos na pegada ecológica. Raramente pensamos na quantidade de água necessária e nos quilómetros que os alimentos “percorreram” para chegar à nossa mesa. A Food and Drug Administration (FAO) estima que, em 2050, a população mundial ultrapassará os 9 mil milhões, o que torna necessária a produção de mais 60% de alimentos. O aumento da produção significa mais peso para o planeta. Cabe a nós olhar para a necessidade de parar e pensar no que compramos e comemos, e o impacto que isso tem no ambiente, que certamente desejamos preservar para as gerações futuras. 

De acordo com o levantamento de uma rede independente de monitoramento de florestas, o desmatamento no mundo, em 2017, atingiu áreas do tamanho da Itália. A FAO admite que mais de 80% do desmatamento brasileiro estava associado à criação de pasto, uma vez que o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, em torno das 200 mil cabeças de gado. Para esta quantidade de animais, são necessários, pelo menos, 2 milhões de quilômetros quadrados, afirma o biólogo e ativista Sérgio Grief. O biólogo acrescenta, ainda, que “a cada segundo, a área correspondente a um campo de futebol é desmatada no mundo, para produzir 257 hambúrgueres.” A retirada da vegetação pode resultar no aquecimento da zona até 4 graus centígrados.

A alimentação dos animais passa por uma grande quantidade de matéria vegetal, como o pasto, milho ou soja, mas a quantidade de energia consumida pelos animais é muito maior que a energia contida na carne aproveitada para alimentação. 79% da soja é usada para o fabrico de rações para animais, como vemos no gráfico da World Wide Fund for Nature, uma vez que o seu custo é baixo em relação à sua riqueza proteica. A soja seria mais eficiente quando utilizada diretamente na alimentação humana.

Em 2016, a FAO publicou um relatório onde consta o peso no aquecimento global provocado pela pecuária. O relatório  Livestock’s Long Shadow mostra que a pecuária é responsável por 18% da emissão total de gases-estufa, o que supera as emissões provocadas por qualquer meio de transporte. A pesquisadora Michely Tomazi justifica a quantidade de CO2 produzido pelos animais, referindo que “no estômago dos ruminantes ocorre um processo de quebra de celulose no qual os microorganismos produzem metano para liberar na forma de gás.” Outro gás produzido pelos animais é o óxido-nitroso, também um gás-estufa. O relatório da FAO acrescenta que “o metano possui 23 vezes o potencial destrutivo do dióxido de carbono e o óxido nitroso, 296.” A infografia do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito de Estufa mostra a contribuição da pecuária para os gases intensificadores do efeito de estufa: 

A Water Footprint Network (WFN) calcula que, aproximadamente 70% da água doce dos rios, lagos e depósitos subterrâneos, é usada para a agricultura, a maioria na produção pecuária, uma vez que o gado bovino consome uma média de 50 litros de água, por dia. O processo de abate consome mais de 1200 litros de água de uma vez, segundo Grief. Na infografia da WFN está representada a quantidade de água necessária para a produção dos principais alimentos:

Ter uma alimentação sustentável passa por pensar como os alimentos foram produzidos, de onde vêm, e quantos quilômetros foram percorridos para chegarem ao supermercado onde os encontramos. Como foram embalados, quanta água foi necessária para produzir o alimento e qual a quantidade de gases que foram libertados. Tudo o que comemos tem consequências no ponto de vista ambiental. A sustentabilidade baseia-se no consumo consciente, e resulta numa alimentação mais saudável para nós, e para o planeta.