A vulnerabilidade do homem face ao animal

A ligação do homem à agricultura e pecuária aproximou-o de fontes de água, o que fez alterar certos ambientes. A partir das alterações climáticas e da desflorestação, que daí advieram, os animais afastaram-se dos seu habitats naturais e aproximaram-se das populações humanas. Essa união contribuiu para o aumento da propagação de doenças infecciosas nos humanos, transmitidas pelos animais, e vice-versa.

Segundo o jornal Público, muitas doenças infecciosas começam em animais, as chamadas doenças zoonóticas, como o caso da febre de Lassa manifestada na Nigéria nos anos 60. A gripe das aves é outro exemplo de doenças zoonóticas. Resulta do contacto direto com aves infetadas, vivas ou mortas. A preocupação do homem perante esta gripe, deve-se às pandemias que ocorrem de tempo em tempo e levam à possível adaptação das aves ao quotidiano do ser humano.

O jornal faz referência a um artigo de John Scott, responsável de risco da companhia suíça de seguros Zurich, no site do Fórum Económico Mundial, onde afirma que a subida de doenças infecciosas deve-se “ao elevado número de viagens pelo mundo, do comércio ou de áreas densamente povoadas”. Para Scott, as alterações climáticas relacionam-se com o facto de as populações que se deslocaram, fazerem aumentar a exposição a ameaças biológicas. No que diz respeito à desflorestação, o responsável de risco declara que os animais ao se afastarem dos seus habitats e se aproximam do ser humano, aumentam a chance de criar doenças zoonóticas.

De acordo com o Público, em 2019, num estudo realizado por um grupo de cientistas da Universidade de Auburn nos EUA, a hipótese de que “os habitats degradados poderiam estimular processos de rápida evolução e diversificação de doenças” era salientada.

A rapidez das doenças infecciosas, sobretudo as de origem zoonótica, têm criado preocupação no mundo, devido ao seu alto contágio. Exemplo disso, é o coronavírus, também conhecido por Covid-19.  Com origem em dezembro de 2019, o vírus apareceu pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, onde se levantaram as primeiras suspeitas do início da doença: a ligação à venda de animais vivos, neste caso, a possível venda de morcegos. Contudo,estas suposições mostram-se, até então, inconclusivas. 

Apesar do desconhecimento acerca da génese do vírus, este tem marcado a atualidade noticiosa pelo seu impacto económico, social, e sobretudo, humano. Com base nos dados atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS), registam-se, até dia 30 de março, cerca de 630 mil casos confirmados de Covid-19 e, pelo menos, 30 mil pessoas já morreram em todo o mundo.

Fonte: World Do Meters