“Rapariga com Brinco de Pérola”, um “possível” retrato da mulher ideal

Abbie Vandivere/Coleção do museu Mauritshuis, Haia

Em 2018, um grupo de cientistas juntou-se para examinar o famoso retrato “Rapariga com Brinco de Pérola”, que Johannes Vermeer pintou em 1665. Na passada quarta-feira, 29 de abril, a equipa revelou algumas das suas descobertas. Contudo, o sujeito da pintura continua um mistério.

Dois anos após o começo de uma análise profunda do quadro A Rapariga com Brinco de Pérola pintado pelo holandês Vermeer em 1665, no período barroco, algumas verdades escondidas sobre o seu processo de criação e o significado “pessoal” do artista foram identificadas. “The Girl in The Spotlight”, o nome do projeto que o museu Mauritshuis, detentor do famoso retrato, deu origem para a sua investigação revelou, a 29 de abril, que, entre outras coisas, a pérola é apenas uma “ilusão” e que a rapariga já teve pestanas.

“Nós não descobrimos quem era esta jovem ou se, simplesmente, ela existiu. Mas conseguimos chegar um bocadinho mais perto dela.”

Martine Gosselink, diretora do museu Mauritshuis

O museu teve de fazer uma apresentação online sobre as suas descobertas que, de acordo com o site artnet, ocorreu devido às ordens de confinamento em relação à Covid-19. O artigo indica ainda que foram utilizadas novas tecnologias, desenvolvidas depois de 1994, ano em que o quadro também foi estudado, como técnicas não invasivas de imagem e digitalização, microscopia digital e uma análise de amostras de tinta. A pesquisa teve lugar dentro das galerias do museu, num quarto de vidro, especialmente construído para a ocasião.

Quarto de vidro onde ocorreu o projeto “The Girl in The Spotlight” / Fonte: cedida para download através do site do museu Mauritshuis, em Haia.

Segundo o Público, a investigação liderada por Abbie Vandivere, conservadora-chefe de pintura do museu, declara que Vermeer chegou a pintar pestanas e a colocar uma cortina verde, como fundo, que desapareceu por completo dando lugar a um espaço escuro e vazio. Além disso, também se ficou a saber que os pigmentos utilizados são oriundos da Inglaterra, do México e do Afeganistão, e que foram feitos a partir de um mineral de nome lápis-lazúli, que na segunda metade do século XVIII, era mais precioso que o ouro.

Uma digitalização em 3D da pintura aplicada depois com Raio-X, mostra as pestanas quase invisíveis no fundo preto. / Fonte: cedida para download através do site do museu Mauritshuis, em Haia.

O artigo do site do museu holandês, evidencia muito mais sobre o quadro e o processo de pintura do artista. Em A Rapariga com Brinco de Pérola, o pintor trabalhou sistematicamente do fundo para o primeiro plano da seguinte forma: fundo verde, pele do rosto da rapariga, roupão amarelo, colarinho branco, lenço azul na cabeça e, a “pérola” entre a orelha e o colarinho. Contudo, os estudos revelaram que a “pérola” é uma ilusão, que aconteceu devido aos toques translúcidos e opacos de tinta branca. Além disso, a falta do gancho para pendurar a “pérola” na orelha também é um fator importante desta assunção. 

Uma fotografia digital aumentada mostra a realidade da “pérola”. / Fonte: cedida para download através do site do museu Mauritshuis, em Haia.

A identidade do sujeito retratado ainda não foi identificado, mas perante todas estas descobertas Martine Gosselink, diretora de Mauritshuis, mostra confiança nas suas palavras no final do post. “Este não é o ponto final da nossa pesquisa, é sim um intermédio. Queremos ir ainda mais longe com a pesquisa. As técnicas ainda se encontram a desenvolver, tal como as colaborações e o desejo de descobrir mais. É claro que o vamos manter informado!”. 

Apresentação dos resultados por Abbie Vandivere. / Fonte: canal de Youtube “Het Mauritshuis